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ACUPUNTURA AURICULAR

O QUE É ACUPUNTURA AURICULAR?

 A Acupuntura auricular é um ramo da acupuntura clássica destinado ao tratamento das enfermidades físicas e mentais através de estímulos de pontos situados no pavilhão auricular. Cada orelha tem pontos reflexos que correspondem a todos os órgãos e funções do corpo. Ao se efetuar a sensibilização desses pontos por agulha de acupuntura, o cérebro recebe um impulso que desencadeia uma série de fenômenos físicos, relacionados com a área do corpo, produzindo a cura.

O uso da Acupuntura auricular é compatível com as demais formas de tratamento. Não apresenta efeitos colaterais, desde que o diagnóstico seja correto e os programas de tratamento sejam bem dimensionados. Além dos efeitos curativos imediatos, tem efeitos preventivos, dando ao organismo energia suficiente para impedir enfermidades.

 A Acupuntura auricular vem mostrando resultados positivos e reais, e não se pode apelar para o fator psicológico, pois tanto a acupuntura clássica como a Acupuntura auricular atuam perfeitamente em crianças recém-nascidas, em idosos portadores de senilidade mental, em pacientes em estado de coma e na medicina veterinária em animais de pequeno e grande porte. A Acupuntura auricular está sendo usada nas principais escolas médica e centros de tratamento holístico nos Estados Unidos, Canadá, França, China, Brasil, entre outros.

Entrevista
Dr. Raphael Nogier
 
Nas Raízes da Auriculoterapia 

Em recente visita ao Brasil, o médico francês Dr. Raphael Nogier, cujo pai descobriu a auriculoterapia, concedeu esta entrevista a PLANETA. Também participaram da conversa, que acabou abrangendo pontos da acupuntura tradicional, o dentista Dr. Darwin Caldeira Ribeiro e o médico Dr. Jorge Boucinhas, brasileiros que desenvolvem alguns trabalhos com o Dr. Nogier.  
 
PLANETA - Quais as diferenças básicas entre a acupuntura tradicional e a auriculoterapia?

 Nogier - A acupuntura é uma técnica chinesa ancestral, que repousa, até certo ponto, nas noções filosóficas de yin e yang, que são energias complementares. Na acupuntura tradicional, a gente pica os pontos para controlar essa energia, que passa pelos meridianos.

 Na auriculoterapia não há essa idéia de energia; ela é uma técnica pura e simplesmente ocidental, descoberta em 1951 por meu pai, Paul Nogier, e que repousa em noções neurofisiológicas. A idéia básica é que a representação do sistema nervoso é feita de tal maneira que, na orelha, nós encontramos pontos que representam diferentes órgãos. Ou seja, colocando agulhas nas orelhas nós podemos agir sobre as funções desses órgãos ou sobre as dores nas áreas relacionadas a eles.

 PLANETA - É possível fazer diagnóstico através da auriculoterapia?

 Nogier - Sim. Se nós encontrarmos dor na área da orelha que representa o estômago, por exemplo, sabemos que há algo errado, algo problemático nesse órgão. Também podemos, através de aparelhos eletrônicos, medir a resistência oferecida pela pele da orelha à passagem da corrente elétrica; assim, é possível detectar (já que conhecemos o mapeamento do corpo na orelha) o ponto que apresenta disfunção.

 PLANETA - Existe alguma relação entre o uso de brincos e a prática instintiva, digamos assim, da auriculoterapia?

Nogier - Realmente é uma coisa interessante essa história dos brincos. Basta lembrar que, em certa época, o hábito de colocar os brincos tinha funções bem específicas. Algumas amas, por exemplo, faziam as crianças usarem brinquinhos no ponto tradicional do olho, o que, entre outras finalidades, parecia ter como objetivo prevenir infecções oculares na criança. Já os piratas árabes utilizavam um brinquinho de ouro nesse ponto provavelmente para aumentar a sua acuidade visual e com isso ver os navios a serem pirateados bem antes de eles próprios serem vistos.

 Darwin - O Bjorn Borg usava uma agulha grande no ponto do olho, e ele enxergava melhor do que qualquer outro tenista, colocando a bola no limite da linha de fundo da quadra.

 PLANETA - Mas, hoje em dia, usam-se brincos até na região da orelha correspondente à coluna vertebral, por exemplo. Isso não pode, de alguma maneira, afetá-la?

Nogier - Sim, é possível não somente prejudicar a coluna, como o corpo em geral.

 Acupuntura em cirurgias

PLANETA - Embora em grandes cirurgias seja perfeitamente possível a analgesia através de acupuntura, no Brasil essa prática ainda está bastante restrita à odontologia. A situação é a mesma na Europa?

 Darwin - Não. Eu tenho visto isso na Europa, inclusive na França, onde estive recentemente, junto com o dr. Nogier e o dr. Boucinhas, apresentando um trabalho sobre a analgesia por acupuntura auricular, que eu aplico em odontologia. Em Paris, eu vi um trabalho sobre cirurgia toráxica, o que nós estamos começando a fazer agora. Eu tenho um irmão que é cirurgião-plástico e venho fazendo a analgesia por acupuntura para pacientes seus que tiveram acidentes vascular cerebral, choque anafilático ou alérgico. Estamos também iniciando um trabalho agora para cirurgia toráxica.

 PLANETA - Nos países do Oriente isso já é comum?

 Darwin - Sim. Eu cheguei a ver um médico oriental fazer uma cirurgia de um tumor no pulmão usando uma técnica de analgesia com uma só agulha.

 PLANETA - E por que ainda não se adota esse tipo de técnica no Brasil?

 Darwin - Existem poucos profis-sionais da área que se dedicam à analgesia por acupuntura. É preciso, primeiro, conhecer a acupuntura muito bem, exercê-la profissionalmente, para depois fazer isso. E, no Brasil, a acupuntura com essa definição ainda é muito recente.
 

PLANETA - O medo ou a falta de confiança pode colocar em risco a analgesia por agulhas?

Darwin - O medo é relativo, porque o profissional brasileiro tem mostrado que não existe o perigo de dor nem de contaminação, já que se usam hoje agulhas descartáveis. Além disso, os resultados são tão eficientes que fazem com que a acupuntura seja melhor aceita. Tanto que há tramitando no Congresso uma legislação nova para regulamentar a acupuntura.

 PLANETA - De que maneira remédios homeopáticos e florais podem auxiliar em tratamentos por acupuntura?

Darwin - Eles são ferramentas que se acoplam ao tratamento. Você não pode usar, por exemplo, um supressor, uma cortisona, um corticóide junto com a acupuntura, porque iria diminuir o efeito-resposta do organismo.

 PLANETA - Ou seja, a acupuntura é menos eficiente quando se está tomando certos medicamentos…

Boucinhas - Cortisona, qualquer psicotrópico, essas drogas mais pesadas para depressão e psicose - aldon, aneuroléticos, propomasina, neuropropomasina e outros psicotrópicos mais fortes - bloqueiam bastante o efeito da acupuntura. Tranqüilizantes mais leves, como benzodiazepan, têm uma pequena ação bloqueadora, assim como os antibióticos.

Tratando os vícios

PLANETA - Mas qual é a porcentagem de cura? Eu não gostaria de tirar a esperança dos fumantes que desejam se curar do vício...

 Nogier - As grandes estatísticas têm provado que a aurículo é a melhor forma para auxiliar o fumante. Mas é uma ilusão pensar que está tudo resolvido depois de alguns meses; vários anos depois de a pessoa estar se abstendo de fumar é que se pode considerar o problema sanado. O mesmo se dá em relação às drogas e ao álcool. E é importante deixar claro que não basta só botar agulhas; a acupuntura auricular tem de fazer parte de um contexto de mudança global, no qual se inclui a psicoterapia, por exemplo.

PLANETA - É uma mudança inclusive interior, espiritualizante?

 Nogier - Por que não? O tabaco é um problema muito, muito difícil. A companhia Philip Morris considera que o indivíduo precisa parar de fumar durante sete anos para se ter segurança de que não voltará a ser fumante. Antes disso, ele continua sendo alvo da publicidade.

PLANETA - Nos Estados Unidos existe um programa de recuperação de drogados que dá como opção ao indivíduo ir para a cadeia ou fazer um tratamento de um ano com ajuda da acupuntura. Existe algo parecido na França?
 

Nogier - Não, não há essa estrutura na França, mas no Canadá existe.

 PLANETA - E o que o senhor acha disso?

 Nogier - Embora eu não tenha experiência própria no caso, acho que deve ajudar, porque temos aí a coisa colocada na globalidade, na modificação geral.

 PLANETA - Há cerca de três ou quatro anos, médicos brasileiros vêm tentando monopolizar o uso da acupuntura. Com isso excelentes profissionais não-médicos, técnicos, terão de abrir mão da prática. Como o senhor vê isso, dr. Nogier? Essa situação também ocorre na Europa?

 Nogier - De maneira geral, espera-se que o médico conheça mais o erro que o não-médico. No caso específico da França, creio que o médico tem pouco tempo para trabalhar com a acupuntura. Talvez a solução fosse fazer como nos países escandinavos, nos quais existem médicos que supervisionam indivíduos que praticam a acupuntura. No caso específico da Escandinávia, onde tenho uma experiência pessoal, o médico tem responsabilidade em relação a qualquer coisa que aconteça com o paciente. Então, ele se encarrega de cuidar o melhor possível da formação de todo o pessoal auxiliar, porque cai tudo nas suas costas. 
O problema básico, na verdade, é fazer um diagnóstico, saber se aquele caso tem uma indicação precisa para acupuntura. Feito isso, o tratamento passa a ser realizado pelo técnico, uma vez que a acupuntura em si não exige maiores conhecimentos em medicina. Eu mesmo sou tratado por um acupunturista não-médico. Por quê? Porque essa pessoa tem mostrado resultados muito bons. Estou perfeitamente satisfeito com ela.

QUIROACUPUNTURA

A quiroacupuntura, ou koryo soojichim, é uma terapia de origem coreana que segue os mesmos princípios milenares que a acupuntura tradicional chinesa, só que valorizando os 14 micromeridianos e os 345 pontos de energia das mãos. Estimulando esses pontos, é possível regular todos os órgãos do organismo. A mão é como se fosse um micro universo representando todo o corpo humano.

Na quiroacupuntura, o tratamento, por ser feito especificamente nas mãos, evita o constrangimento de o paciente tirar a roupa e o susto com o tamanho da agulha.

As agulhas que usamos na quiro normalmente são do tamanho de um alfinete, medindo de 3 a 4 centímetros, enquanto as da acupuntura tradicional medem cerca de 10 centímetros. O tamanho da agulha e a pequena profundidade de penetração diminuem o desconforto do tratamento e não causam a impressão de dor. Acupuntura coreana alivia males crônicos com agulhas mínimas e sem espetadelas por todo o corpo.

Derivada da acupuntura chinesa, que tem cerca de 5 mil anos, a quiroacupuntura foi criada na Coréia do Sul em 1971. Por meio de estudos de termodinâmica, o médico Tae Woo Yoo identificou nas palmas e nos dorsos das mãos um total de 345 pontos energéticos. Estimulados, esses pontos promovem o equilíbrio dos diferentes órgãos vitais. A Koryo Sooji, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde em 2000, amealhou 3 milhões de adeptos, inclusive em países ocidentais, como França, Alemanha e Estados Unidos. Chegou ao Brasil nos anos 90.

 


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